sábado, 12 de agosto de 2017

12 agosto 2017 – Mérida - Espanha


A caminho das nossas férias de Verão, uma vez mais em Fuengirola, aqui já referenciada noutra entrada, almoçamos em Portalegre (uma agradável surpresa para nós) e continuando a viagem deixámos Portugal para trás e chegamos a Mérida, a capital da Extremadura.

Ainda em Portalegre!

Mas Mérida é muito mais que simplesmente a capital da Extremadura, ou será que devemos chama-la de “Emérita”. Pois é, Emérita foi a capital da Lusitânia na Época do Imperador Augusto. As maiores cidades lusitanas eram, as portuguesas, Aeminium (Coimbra), Conimbriga (Condeixa-a-Velha), Scallabis (Santarém), Olisipo (Lisboa), Ebora (Évora), Pax Julia (Beja), Ossonoba (Faro) e, as espanholas, Salmantica (Salamanca), Norba (Cáceres) Metellinum (Medellín) e a já mencionada capital, Emérita.

Não será necessário, portanto dizer, que Mérida é uma cidade com uma enorme riqueza cultural, onde é possível encontrar algumas das mais bem preservadas ruínas romanas do tempo da província hispânica, sobre o controlo de Roma.

Iniciamos a nossa visita à cidade com o Templo de Diana, que é bastante semelhante ao que podemos encontrar em Évora. A grande diferença é o seu estado de preservação. O templo existente em Espanha está muito melhor conservado que o seu homónimo português, e também consideravelmente mais completo. Este templo é um dos edifícios mais antigos da cidade e é o único exemplar da arquitetura religiosa romana que tem perdurado em Mérida.


Supõem-se que foi construído no final do século I a.c. ou no inicio do século I d.C. Podem ainda ver-se restos do palácio do Conde de los Corbos, de gosto renascentista.

A seguir, decidimos “deambular” pelas ruas e ruelas de Mérida, para assim sentir um pouco da cidade e ao mesmo tempo sermos surpreendidos pelo que a cidade tinha para nos oferecer. Acabamos por desembocar na praça principal, onde fica o Ayuntamiento, onde àquela hora não existiam mais que meia dúzia de turistas, que, apesar dos 44º C que se faziam sentir, aproveitavam alguma esplanada para se refrescarem.

Depois de algum tempo a caminhar, pouco pois a cidade é muito pequena, avistamos algo nosso bem conhecido, o Rio Guadiana, onde sabíamos existir um dos ex-libris da cidade, a sua ponte romana. Pelo caminho passamos por um simpático jardim, onde é possível ver uma homenagem à cidade de Mérida, pelas suas homónimas mexicana e venezuelana.

E eis que julgávamos que nos estavam a pregar uma partida: olhamos em frente e vemos a famosa loba Romana, no centro de uma das rotundas da cidade. Sabíamos que existiam estátuas fora de Roma, mas não esperávamos encontra-la ali. É sempre uma visão agradável sobretudo com a Alcáçova como pano de fundo.


Como aparte, deixem-nos referir que a alcáçova é o único edifício muçulmano que se conservou até aos nossos dias em Mérida. Os principais objetivos que motivaram a sua construção foram os de servir de proteção às frequentes revoltas dos emeritenses e a do controlo das passagens através da ponte sobre o Guadiana.

Logo ali ao lado podemos ver a já referida Ponte Romana. A ponte mede 792 mts. de comprimento e 12 mts. de altura em relação ao nível médio da água. A ponte passou a ser exclusivamente pedonal a partir de 1993 e é extremamente agradável cruzar o Guadiana através desta. Isto se não estiver calor, pois caso contrario podemos confirmar que não é uma tarefa agradável.


Existem duas outras pontes romanas em Mérida, mas de menor dimensão. São elas a ponte romana sobre o rio Albarregas e a ponte romana da “alcantarilla”.

Relativamente perto da ponte principal, podemos encontrar a escavação arqueológica da Moreria, onde ao longo dos seus 12 000 metros quadrados de extensão podemos assistir à evolução urbanística e histórica da cidade (nas sucessivas fases históricas: romana, visigótica, islâmica, medieval crista, moderna e contemporânea).

De volta ao centro, fizemos ainda uma paragem junto ao Arco de Trajano, que se julga ter sido um acesso a um espaço sagrado que precederia um templo dedicado ao culto imperial, do qual se acharam vestígios na rua Holguín.



Depois, tínhamos planeado uma visita ao ponto mais alto dos monumentos de Mérida. Estamos a falar do Teatro e do Anfiteatro Romano. Mas os planos saíram furados, pois uma “rebelião” familiar em protesto contra o excessivo calor, obrigou-nos a recolher ao conforto do ar condicionado do carro.


Optamos, então, por fazer uma visita ao aqueduto romano, já na saída da cidade.

Deste aqueduto restam em pé apenas 38 colunas em arco. Por resistir bravamente aos séculos recebeu o seu atual nome “Aqueduto dos Milagres”.


A recolha das águas pluviais e a distribuição até às cidades era uma missão fundamental na época romana. O dique de Proserpina (que ainda se pode visitar a 6 km da cidade) permitia a recolha da água, que era conduzida de forma subterrânea até perto da cidade, onde as impurezas eram eliminadas numa cisterna calcária e de onde o aqueduto dos Milagres transportava a água até ao núcleo urbano, cruzando o rio Albarregas.

Com 835 mts de comprimento e 25 mts de altura máxima, é uma manifestação clara da inventividade romana.

Não podemos deixar de salientar a zona verde existente em volta do aqueduto e que seguramente proporcionará momentos de lazer com muita qualidade para os habitantes locais. Um exemplo de como se pode conservar história e inseri-la na nossa vida quotidiana.

Pernoitamos num hotel rural já a caminho da Andaluzia. Uma excelente escolha, pois, o hotel, apesar de ficar a quilómetros da civilização era muito agradável e os donos duma simpatia de assinalar. Algo tão difícil de encontrar nos nossos dias!


Bem e fica por aqui o relato da nossa visita a Mérida.

Até breve!