12 junho 2016 – Roma – Praça São Pedro, Piazza del Popolo e Piazza de Spagna e Coliseu
Este dia
acordou molhado. Não imaginam a sensação de desilusão que tivemos quando
acordamos e vimos que chovia bastante, e pior, não estava com aspeto de
existirem melhorias. A chuva não era bem-vinda em nenhum dos dias, mas naquele
em particular ainda menos.
E por tudo o
referido, após o pequeno-almoço caseiro, saímos carregados de roupa preparada
para a chuva em direção à praça de São Pedro para uma das surpresas da viagem. Uma
das pesquisas que fizemos para esta curta viagem, foi verificar a agenda mensal
do Santo Padre para ver se era necessário pedir convites para entrar na
Basílica de São Pedro, pois normalmente, quando o Santo Padre reza missa no
interior da Basílica as entradas são limitadas a quem solicitou o convite
antecipadamente.
O processo é
relativamente chato pois tem que ser efetuado através de fax, não existindo
outro meio para o fazer. A quem interessar os pormenores estão na página da
Prefeitura da Casa Pontifícia. De qualquer forma, no nosso caso não
estavam previstas atividades papais sujeitas a convite, pelo que a nossa
oportunidade para avistar o Santo Padre seria limitada à oração do Ângelus, que
ocorre semanalmente, ao domingo às 12:00h.
Já agora,
para quem não sabe o que é o Ângelus, trata-se de um momento em que o Santo
Padre relembra aos católicos, através de orações, o momento da anunciação,
quando o Anjo Gabriel teria anunciado à Maria a Conceção de Jesus Cristo.
É uma das
melhores alturas para rever o Santo Padre em Roma, sem grandes confusões.
Apenas ter atenção e chegar com alguma antecedência para arranjar um bom local
para esperar pela oração. Normalmente temos direito a um cumprimento em
português, o que é sempre especial vindo do Santo Padre!
Apesar da
vontade da minha sogra em assistir à missa na Basílica, principalmente no dia
do seu aniversário, lá a convencemos do contrário, pois isso implicaria não
conseguir um bom local para assistir à oração do Ângelus.
Imagem a
nossa surpresa, quando ao chegar à Praça de São Pedro, demos com um aparato de
segurança superior ao que expectável. Com alguma surpresa mas resignados aos
trabalhos que tínhamos de passar para entrar na praça, lá entramos e
verificámos que iria ocorrer uma missa. O contentamento da minha sogra foi
evidente, e mais ficou quando vimos entrar o Santo Padre em procissão para
celebrar nessa mesma missa.
Felizmente
tivemos o privilégio de assistir à missa em plena Praça S. Pedro, em Roma e
presidida pelo Santo Padre. À hora que chegamos não faltavam cadeiras vazias na
praça, pelo que pudemos sentar-nos e assistir tranquilamente a toda a
celebração. Um momento simbólico é certo, mas que nos deixou a alma cheia…
Apesar da
distância, para o altar, pudemos acompanhar pelos diversos écrans colocados na
praça as palavras dirigidas pelo Santo Padre a todos os presentes. Infelizmente,
naquele dia faltaram os cumprimentos nas diversas línguas, entre elas a
Portuguesa. Não se pode ter tudo e o que tivemos já foi muito… e até o tempo
melhorou durante a celebração. Apenas caíram uns ténues pingos de chuva e
quando o sol descobria ficava um calor abrasador.
No final da celebração, decidimos caminhar desde ali até à Piazza del Popolo, aproveitando para tirar fotos pelo caminho.
No final da celebração, decidimos caminhar desde ali até à Piazza del Popolo, aproveitando para tirar fotos pelo caminho.
Começamos
logo à saída do Vaticano, com uma pausa junto ao Castelo de S’ Ângelo e à ponte
mesmo em frente, a Ponte Sant'Ângelo.
Quanto ao
castelo, que não visitamos, o seu interesse e pouco relevante, pois alberga um
museu que face à riqueza dos seus concorrentes não desperta a curiosidade. A
maioria dos seus visitantes fazem-no pois a vista que proporciona do seu topo é
muito bonita. Como já tínhamos subido à cúpula no dia anterior decidimos não
pagar o valor cobrado para a entrada (7€).
Construído
por volta de 123 dC como um túmulo para o Imperador Adriano e sua família,
Castel Sant'Ângelo tem um destino atípico tanto no panorama histórico como
artístico da capital italiana.
De monumento
funerário para posto fortificado, de escura e terrível prisão para maravilhosa
mansão Renascentista que vê dentro de seus muros Michelangelo, da prisão no
Risorgimento para museu, Castel Sant'Angelo encarna em solenes espaços romanos,
nas paredes fortes, nos sumptuosos quartos, a história da Cidade Eterna, onde
passado e presente parecem indissociáveis.
O Castel
Sant'Angelo está ligado ao Estado do Vaticano através do corredor fortificado
do "passetto", ou seja, parte dos Muros Vaticanos que ligam o
Vaticano ao Castelo de Sant'Angelo. O "passetto" servia para o chefe
da Igreja se refugiar em caso de necessidade dentro do castelo e ao mesmo tempo
ter um bastião que permitiria um melhor controlo do distrito.
A ponte que
falamos anteriormente, que atravessa o rio Tibre mesmo à frente do castelo é
uma das mais famosas de Roma, principalmente pelas bonitas fotos que
proporciona, mas também está carregada de história.
Dizem que é
a única ponte sobre o rio Tibre cuja subida das águas nunca fizeram danos.
Também conhecida como Ponte Aelius foi construída para unir a cidade de Roma ao
mausoléu que o imperador Adriano mandou construir, o Castelo de S. Ângelo.
A sua
construção data do ano 134 d.C. mas o aspeto que apresenta hoje surge no século
XVII quando se adicionam as estátuas dos anjos criadas por Bernini. A ponte
proporciona um belo passeio pedestre e tem uma excelente vista para o Castelo
assim como para o Vaticano e a margem do rio.
Cada anjo
que decora a ponte carrega um instrumento da paixão ou da sua crucificação, e ao
todo são dez. Um segura uma lança, outro uma cruz, coroa de espinhos, os pregos
etc.. O assustador é que a ponte que serve de homenagem ao sofrimento de Cristo
na cruz servia também para expor os corpos de homens e mulheres executadas.
Nem tudo são
rosas na história da ponte mas ainda assim há espaço para o romantismo com os
cadeados preços nos ferros que a decoram, a famosa moda dos cadeados que
começou numa outra ponte em Itália mas que hoje em dia se vê um pouco por todo
o lado.
As diversas
paragens para fotos fizeram com que o percurso entre o Vaticano e a Piazza del
Popolo demorasse mais que o previsto e como eram já horas de almoço fomos
procurar um restaurante para almoçar. Isto nos intervalos das fotos que foram
mais que muitas.
Perante as
reclamações da Beatriz lá fomos caminhando, sempre que possível junto ao rio,
mas lá tivemos que nos afastar deste para chegarmos finalmente à Piazza del
Popolo.
A Praça do
Povo está localizada a norte do centro histórico da cidade de Roma, nas proximidades
da Piazza di Spagna. Construída no século XVI, esta funcionava como porta de
entrada na cidade para quem viesse do norte.
No centro da
praça, com uma pequena fonte na sua base podemos encontrar um Obelisco egípcio
de Ramsés II com 36 metros de altura. Este não se destaca apenas pelo seu
tamanho mas também pelo facto de contrastar com tudo o que está à sua volta, a
maioria dos monumentos tem estilo romano. O artefacto trazido do Egito para
Roma, foi depois transferido do Circo Massimo na altura da construção da praça.
Também podemos
encontrar Neptuno na praça numa fonte lá existente, sempre a segurar o seu
tridente.
Num dos
lados da praça podemos encontrar duas Igrejas cuja fachada sugere que são
assimétricas mas que na realidade têm algumas diferenças entre elas, não
obstante são também conhecidas como as gémeas. A igreja da esquerda é a de
Santa Maria di Montesanto e a da direita é a Santa Maria dei Miracoli, a
separá-las está a famosa Via del Corso (que liga a Piazza del Popolo até á
Piazza Venecia).
Na altura da
nossa visita a igreja da direita (Santa Maria di Montesanto) estava em obras e
tapada por proteções.
Não
visitamos nenhuma das igrejas pois estavam ambas… encerradas! Achamos estranho,
pois era domingo e ao domingo supõe-se que as igrejas estejam abertas! Seria
encerramento para almoço?
Da praça
podemos avistar o Monte Pincio cujo nome vem da família romana que vivia
naquela zona. Há que subir umas quantas escadas para chegar ao topo mas podem
ter a certeza que a vista sobre Roma é maravilhosa.
Aquando da
nossa primeira visita caminhamos desde o topo do monte até à Piazza di Spagna
pelo interior do parque e fomos desfrutando da vista sobre Roma e da sombra
proporcionada pelas árvores existentes no parque. O local é muito frequentado
por romanos que por ali passam o seu tempo livre. Desta vez, para termos uma perspetiva
diferente decidimos caminhar por uma das ruas que falaremos de seguida.
A Via del
Corso, a Via del Babuíno juntamente com a Via di Rippeta formam o famoso
Tridente de Roma, partindo todas desta praça.
Nesta praça
podemos encontrar uma fonte que representa a deusa de Roma entre o rio Tibre e
o Aniene. Aos seus pés uma das esculturas mais famosas de Itália, a loba
capitolina dando de comer a Rómulo e Remo, o primeiro o fundador de Roma e o
segundo o seu rei.
A verdade é que são tantas as praças
famosas de Roma, que por vezes é difícil escolher quais as que merecem um pouco
mais de atenção. Talvez as mais famosas sejam a de Espanha e a Navona, ainda
assim esta é sem dúvida uma das que vale a pena perder um pouco de tempo a
apreciar a sua dimensão e riqueza dos elementos que a rodeiam.
Como o nosso destino seguinte era a
Piazza di Spagna fomos procurar um restaurante na Via di Rippeta, uma das
referidas 3 vias que partem da Piazza del Popolo.
Encontramos o PizzaRé,
um restaurante que apesar do nome não é uma pizzaria.
O restaurante revelou-se uma bela
surpresa pois não obstante estar próximo de atrações turísticas, o que
normalmente faz subir bastante o preço e descer a qualidade, a relação
qualidade/preço foi muito aceitável (para os níveis de Roma, é claro!). De
qualquer forma foi a nossa refeição mais cara em Roma, 76€.
O cardápio tem massas, saladas e vários
outros pratos, mas o que os funcionários realmente recomendam é a pizza. Também
pedimos para experimentar e estava tão muito boa, talvez a melhor que eu já
comi na Itália.
Como destaques valem o atendimento
atencioso, o preço justo e a ótima localização. Recomendamos, sem dúvida!
A Piazza di Spagna estava a pouco
tempo de distancia e quando lá chegamos
foi a desilusão completa, as escadarias
estavam fechadas, em obras! Isto bem confirmar o que costumamos dizer: em Roma
há sempre alguma coisa em obras!
As pessoas que estavam na praça, em
menor número que o habitual é claro rodeavam a barcaça que se encontra no final
das escadarias e aproveitavam para tirar as suas fotos ali mesmo. Fazendo jus
ao ditado que diz faz como vires os outros fazerem, lá aproveitamos para tirar
algumas fotos ao pouco que havia.
Referindo alguma coisa sobre a
Piazza di Spagna e a(s) sua(s) história(s), os famosos degraus ligam a Praça de
Espanha à Praça de la Trinitá dei Monti, onde se encontra uma igreja com o
mesmo nome, de estilo renascentista e cuja construção data do século XVI. Já
escadaria foi construída um par de séculos mais tarde e o arquiteto responsável pela
sua construção foi Francesco di Santis.
Atualmente o nome da escadaria está
associado a Espanha pelo facto de a sua embaixada ocupar o Palácio de
Monaldeschi que se encontra na famosa praça mas o seu nome, em italiano é na
realidade la Scalinata della Trinitá dei Monti e estas foram encomendadas pelos
franceses, pelo que nada têm a ver com os espanhóis.
A praça tornou-se um local de visita
obrigatória para todos aqueles que visitam Roma, mais pelos eventos que ali se realizam
regularmente que pela sua beleza arquitetónica. Após a construção da escadaria
tornou-se mesmo uma das principais atrações turísticas da cidade e muitos
artistas procuraram ali casa para ali residirem.
Tal como referimos o único ponto de
interesse que podemos apreciar devidamente foi a fonte Barcaccia ("barco
feio") construída no século XVII. Esta representa um barco a naufragar cuja
construção está atribuída aos Bernini, Pietro (pai) e Gian (filho).
O barquinho que está a afundar simboliza
uma das piores inundações do Rio Tibre, onde um barco foi encontrado exatamente
no local onde vemos a escultura atualmente. Urbano VIII encomendou a construção
desta fonte, que é alimentada pelo mesmo aqueduto da Fontana di Trevi.
Como os motivos para nos mantermos por
ali não eram muitos decidimos que o resto da tarde seria passado nas compras de
recordações, principalmente na loja do Pinóquio. Provavelmente um franchising,
já que vimos mais do que uma loja em diferentes locais alusivas à temática da
criatura esculpida a partir do tronco de uma árvore por Geppetto. A Beatriz quis
trazer prendas para os aniversários todos que vai ter até ao final do ano! e
acho que ainda vão sobrar algumas criaturas! Existem peças com todas as formas
e feitios, todas elas com a temática na personagem.
Fica a recomendação para que quiser
experimentar: a loja chama-se Bortolucci.
Com os sacos mais pesados e os
bolsos mais leves regressamos a casa para preparar uma surpresa de aniversário
para a minha sogra. Não imaginam o trabalho que dá encontrar um bolo de
aniversário e respetivas velas numa cidade que não conhecemos!
Lá conseguimos encontrar uma
pastelaria que além de bolos vendia todo o tipo de “panini”, pelo que também aproveitamos
e já compramos a nossa refeição para aquela noite.
Cantámos os parabéns à minha sogra, jantamos e saímos para um passeio de autocarro até à zona por onde iríamos andar no dia seguinte, o Coliseu.
Cantámos os parabéns à minha sogra, jantamos e saímos para um passeio de autocarro até à zona por onde iríamos andar no dia seguinte, o Coliseu.
Queria tentar umas fotos noturnas do
Coliseu e do Arco de Constantino e ao andar de autocarro sempre vamos
apreciando as luzes da cidade.
Caminhamos durante algum tempo para depois regressar a casa e descansar pois o dia seguinte seria fisicamente exigente.
Caminhamos durante algum tempo para depois regressar a casa e descansar pois o dia seguinte seria fisicamente exigente.
Até amanha, onde vamos andar,
literalmente, a ver pedras!
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